Texto - Sala de Novas mídias

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NOVAS LINGUAGENS


“Esta é uma obra criada exclusivamente para o cinema.” Com o avanço da tecnologia, afirmações como essa têm-se tornado cada vez mais improváveis. Apontar este ou aquele trabalho como algo feito sob medida para uma mídia específica – televisão, rádio, Internet – está perdendo o sentido.

Hoje em dia, em um pequeno telefone celular, é possível armazenar filmes, assistir à TV, ouvir músicas, acessar a Internet, fotografar, gravar vídeos e – não podemos esquecer – falar ao telefone. Olhando para essa pequena maravilha tecnológica, não é difícil prever que, num futuro próximo, todas as mídias estarão integradas.

A integração das mídias e sua acessibilidade vão gerar, sem dúvida, profundas mudanças na linguagem de todas as artes. Na verdade, esse processo de transformação já está acontecendo.

Depois da invenção do cinematógrafo, no final do século 19, o cinema passou por um período de construção de sua linguagem. Hoje, quando entramos numa sala de cinema e assistimos a um filme contemporâneo, estamos diante de mais de cem anos de experimentos e estudos, realizados por artistas e teóricos; estamos diante de uma linguagem mais sedimentada e, se quisermos aprimorar nosso conhecimento técnico, podemos encontrar dezenas de livros que tratam da estética do cinema e das “regras” para a realização de um filme.

A possibilidade de gravar um vídeo com um telefone, numa tela pequena, em qualquer hora e em qualquer lugar, certamente modificará muito do que conhecemos como linguagem audiovisual.
Vale a pena procurar no Youtube os primeiros filminhos feitos pelo americano Thomas Edson, em meados de 1890. Edson inventou o Cinetoscópio, máquina capaz de captar imagens em movimento. Fascinado pela descoberta, ele saiu filmando. Gravou todo tipo de bobagem: da estranha performance de um halterofilista até uma luta de boxe entre dois gatos. Sem montagem. Sem decupagem. Sem narrativa.

Diante das novas mídias, estamos tão fascinados quanto Edson esteve diante da possibilidade de gravar e exibir imagens em movimento. O uso da imagem e do som como forma de expressão está se democratizando de maneira impressionante. Porém, depois de anos de desenvolvimento do cinema e da TV, já não somos tão ingênuos esteticamente quanto era o inventor americano. Podemos usar nossas referências, nossas técnicas e, claro, nossa criatividade para contribuir com a construção dessa linguagem, que vai misturar formatos e mudar para sempre a arte audiovisual.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Patrícia Moran e Reinaldo Pamponet