Texto - Sala de Exibição

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CRITICAR E FAZER CINEMA


O universo do cinema é feito de filmes, de espectadores mais ou menos especializados, de pesquisadores da história e da linguagem do audiovisual, de cinéfilos inveterados, de professores, de aprendizes, de analistas amadores ou profissionais.

Um filme só pertence ao diretor até o momento de seu lançamento. Depois da estréia, o filme pertence ao público, que vai pensar sobre ele e reconstruí-lo sob seu ponto de vista, à luz de sua sensibilidade e de suas referências.

Todo apaixonado por cinema tem a sua maneira de fazer cinema, de dar sua contribuição à permanência, à divulgação e ao desenvolvimento dessa arte.

O crítico de filmes costuma ser um apaixonado por cinema. Seu grande objetivo é enriquecer o olhar do público (e, em alguns casos, o olhar dos próprios realizadores) sobre os filmes que analisa.

O trabalho do crítico consiste em assistir aos filmes, refletir e pesquisar sobre eles para escrever textos que incentivem a reflexão do leitor/espectador. Criticar um filme não é julgá-lo. Não é afirmar que ele é bom ou ruim. Não é desprezar as intenções do diretor, em nome de uma análise pessoal, que reflita somente o gosto ou a opinião do próprio crítico. Não é ser dono de verdade alguma.

Criticar é oferecer ao público informações e pensamentos que agucem seu desejo de olhar o filme com mais profundidade, possibilitando uma interpretação mais rica da obra, que vá além da simples sensação de gostar ou não gostar. Criticar é abrir novos horizontes simbólicos para quem se interessa e para quem trabalha com filmes.

Há quem diga que críticos de cinema são cineastas frustrados. Alguns críticos, talvez, sejam frustrados mesmo. Mas, na verdade, o amplo universo do cinema também é feito de críticos. Seu papel é fundamental para a compreensão e o desenvolvimento da linguagem audiovisual. Ou seja: os críticos, a seu modo, também fazem cinema. E não têm motivo nenhum para serem frustrados.




Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Luiz Carlos Merten e Ricardo Calil