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O CRÍTICO CRIATIVO


Oferecer ao leitor uma nova abordagem sobre o filme é o primeiro passo para escrever uma crítica interessante. Fugir do senso comum, da opinião de outras críticas já publicadas e da simples descrição do que está claro na tela é fundamental.

Numa crítica, é possível analisar a estética do filme, sua fotografia, seu roteiro, sua direção, sua arte, a interpretação dos atores, o uso do som, sua temática, seu contexto social e histórico, sua mensagem, sua relação com obras do mesmo diretor e/ou com filmes de outros diretores, seu diálogo com movimentos ou tendências cinematográficas. Assunto é o que não falta. O desafio é encontrar um ângulo novo, criativo e plausível para tratar essas questões. E sem viajar demais.

É comum ouvir de diretores de cinema que alguns críticos interpretam seus filmes de maneira arbitrária, encontrando significados completamente diferentes da intenção original das obras. Por um lado, um bocado desse tipo de análise pode ser interessante, enriquecendo as possibilidades simbólicas do filme. Por outro, pode ser perigoso, pois o crítico pode desvirtuar completamente o sentido que o realizador tentou construir. Se não tiver embasamento e informações, o crítico pode falar um monte de besteiras. Pode criar uma ficção sobre um filme real. E só contribuir com a confusão, com a desinformação.

A tentativa da maior parte dos críticos de cinema é evitar ao máximo a interferência de sua subjetividade. Fazer uma análise imparcial. Mas ser totalmente imparcial e objetivo não é possível. A crítica é um reflexo do filme e do próprio crítico. As palavras que escreve no papel passam pelo filtro de seus sentimentos, de sua formação, de suas ideias, de seu humor. Um tanto de abstração com um pouco de subjetividade são inevitáveis ao escrever uma crítica. Mas não são desejáveis.

Crítica de cinema não é arte. O excesso de criatividade pode levar um crítico a análises e interpretações completamente caóticas, comprometendo o sentido original de um filme.




Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Ricardo Calil