Texto - Sala de Exibição

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CRITICAR É VIVER


Existe a crítica de cinema publicada em revistas e sites especializados. Existe a crítica de cinema publicada em jornais de grande circulação. Existe a crítica de cinema publicada em blogs. Cada uma delas tem suas próprias características.

Nas revistas especializadas, as críticas costumam trazer muitos termos técnicos, citações e referências, afinal, parte-se do princípio de que o leitor já sabe bastante sobre cinema. Os textos são mais longos e densos, escritos com mais cuidado, embasados por uma grande pesquisa.

Nos jornais, a crítica geralmente é mais curta e respeita a limitação da maior parte dos leitores: sua linguagem é simples, usando menos termos técnicos e explicando todas as citações e referências. São textos ágeis, escritos quase sempre com rapidez, adequando-se aos curtos prazos do fechamento de cada edição do jornal.

Na Internet, é possível encontrar um pouco de tudo. De sites superespecializados, com textos densos, a pequenos parágrafos escritos por curiosos e novatos no universo da sétima arte.

Ter um bom texto é muito importante para escrever crítica de cinema. Alguns críticos levaram suas análises a altos níveis textuais, criando, com seu estilo, verdadeiras obras literárias. A palavra é a ferramenta usada pelo crítico para expressar suas ideias. Ele precisa saber muito sobre cinema e dominar a arte de escrever.

Mas conhecer cinema e escrever bem não é o bastante para ser um bom crítico.

Para analisar filmes, é preciso ter, antes de qualquer coisa, uma visão de mundo. É preciso ser curioso e buscar uma formação geral: saber sobre futebol, sobre religião e política. Entender um pouco de artes plásticas, ir ao teatro e assistir à TV. Ir ao cinema, assistir a filmes clássicos e bater papo com os amigos, ouvindo música eletrônica. Andar de bicicleta. Namorar. Ler textos complicados e textos simples, para melhorar a escrita e para se divertir.

Ninguém cria visão de mundo sentado numa sala escura, assistindo a filmes 24 horas por dia. Visão de mundo se cria vivendo. E bons filmes representam, sempre, alguma visão de mundo. Bons filmes são vivos e falam da vida.

Sem visão de mundo, ninguém escreve boa crítica de cinema numa revista especializada. Nem num jornal. Não adianta nada ter um texto lindo, porém superficial, sem vibração, pobre de conteúdo.
Sem viver a vida, ninguém escreve um parágrafo sequer, nem uma frase interessante num chat - seja ele sobre cinema ou sobre qualquer outro assunto.




Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Luiz Carlos Merten e Ricardo Calil