Texto - Sala de Exibição

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EXIBIR É VIVER


O escritor argentino Jorge Luis Borges defende, em um de seus ensaios, que a obra de arte só existe quando encontra o público. Quer dizer, o original de um livro pode ser genial, mas, se ficar guardado numa gaveta, se ninguém ler, ele não existe enquanto obra de arte. Uma imagem pintada, por mais incrível que seja a técnica empregada em sua criação, não é uma obra de arte, se não for exposta. O mesmo acontece com o cinema: pra que filmar, pra que gastar um monte de tempo, de dinheiro e de energia pra realizar um filme, se ele não chegar aos olhos do público?

A exibição é uma etapa fundamental do processo cinematográfico – ela é a responsável direta por promover o encontro da obra com a audiência. No início de sua história, os filmes tinham exibição ambulante, em feiras de variedades, circos e cabarés, geralmente como atrações complementares. Em pouco tempo, o cinema ganhou autonomia e passou a ser exibido em salas exclusivas.

Até os anos 50, o cinema, como entretenimento, só concorria com o rádio. Por isso, assistir a filmes em luxuosas salas foi uma das maiores diversões de nossa sociedade. Hoje em dia, no entanto, é cada vez mais difícil separar o cinema das outras artes audiovisuais, e a exibição passou a abarcar as salas de cinema, a TV, os DVDs, a Internet, os celulares e aparelhos MP4.

Apesar de possuir esse papel fundamental no processo cinematográfico, a exibição não é sistematizada, no Brasil. Faltam estudos e pesquisas especializadas, faltam abordagens que não estejam focadas apenas na exibição enquanto mercado (fonte de lucro) ou romantismo (importância artística).

Exibir filmes é colocá-los em contato direto com as pessoas, é levar pra perto de um monte de gente uma porção de idéias e sentimentos. Exibir filmes é formar público para manter vivo o ato de contar e ouvir histórias. É manter viva a arte do cinema, seja na tela grande, na TV de casa, no monitor de um ônibus, num microcomputador ou num telefone celular. Exibir filmes é manter ativa a produção de um monte de artistas que se dedicam ao meio audiovisual.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: André Gatti