Texto - Sala de Exibição

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A BOCA DE DOIS METROS DE COMPRIMENTO


A exibição está diretamente relacionada à produção de um filme. Para entender essa relação, basta nos perguntarmos o seguinte: adianta gravar um filme com uma pequena câmera digital, usando seu limitado microfone para captar o som, e exibi-lo numa mega sala de cinema?

Não, não adianta nada. As grandes salas de cinema contam com projetores muito modernos, telas enormes e sistemas de som superpotentes. Certamente, em vez de realçar as qualidades, uma sala desse porte ressaltaria as limitações e defeitos de um vídeo realizado com poucos recursos.

Isso acontece porque há uma série de fatores que precisam ser levados em conta, na hora de fazer um filme, para exibir em grandes salas. A primeira coisa é que existe um público, freqüentador desses cinemas, que já está habituado a um padrão de qualidade de imagem e som. E, para manter esse padrão, é necessário que o filme seja produzido seguindo uma série de requisitos.

Um exemplo é o sistema de som digital Dolby 5.1. Para adequar-se a esse tipo de som, presente na maior parte dos grandes cinemas do mundo, é necessário empregar muito trabalho técnico e boa parte do orçamento do filme.

O mesmo acontece com a qualidade da imagem. Numa tela pequena, é mais fácil esconder as limitações. Numa tela gigantesca, cada detalhe salta aos olhos. Quer dizer, da câmera escolhida para filmar ao trabalho de direção, fotografia, direção de arte e montagem, tudo fica mais visível, numa tela grande.

A cor do batom usado por uma atriz, na TV, pode fazer pouca diferença. No cinema, a boca pode alcançar dois metros de comprimento, e seu batom, fazer toda a diferença do mundo. O público, naturalmente, sente a diferença.

Bem, ser exibido em grandes salas de cinema é um desafio encarado por quase todos os cineastas que não estão em Hollywood. De qualquer forma, é importante ter em mente que, embora ainda seja o ponto forte, a exibição no grande circuito de cinemas não é a única maneira de lançar um filme. Há cineclubes e circuitos alternativos, mostras e festivais pelos quais o filme pode chegar a bastante gente. Além disso, com uma história bem contada, o batom na boca da atriz, numa tela do Youtube, faz pouca diferença. E milhares de pessoas assistem e se divertem bastante.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: André Gatti