Texto - Sala de Exibição

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ALÉM DO MULTIPLEX


Existem circuitos alternativos de exibição. Um deles é o popular cineclube, que, há muitos anos, reúne, em pequenas salas, apaixonados por cinema. Um cineclube exibe filmes que não estão em cartaz no grande circuito. Sua programação, geralmente, não é organizada com o objetivo de gerar lucro. O sentimento que predomina é o desejo de levar ao público cultura cinematográfica, o desejo de mostrar a arte, de encontrar pessoas, gerar debates e abrir novos olhares sobre o cinema.

Antigamente, os cineclubes exibiam cópias em película, fato que os aproximava das grandes salas de exibição. Hoje, a maior parte dos cineclubes exibe DVDs e, por isso, seu formato tem sido colocado em discussão. De toda forma, é cada vez mais fácil montar um cineclube e organizar pequenas exibições. E, mostrando película ou DVD, sua importância para ampliar horizontes cinematográficos continua.

Outro importante formador de público é o circuito de filmes de arte. Com salas localizadas em centros culturais ou mantidas por instituições, ele abre espaço para filmes diferentes, que não agradam todo o mundo e, por isso, não entram no circuito mais “comercial”. Sua existência é muito importante para mostrar às pessoas que cinema não é só o que passa nas salas Multiplex e nas sessões da TV aberta.

O circuito de filmes de arte é pequeno porque custa muito caro manter as salas e, em geral, o público que paga ingresso é limitado. Por isso, em nosso país, é comum encontrar cinemas de arte mantidos por instituições financeiras, como HSBC, Unibanco e Banco do Brasil, por meio da lei de incentivo à cultura.

Os festivais costumam reunir filmes diversos, apostando na pluralidade para formar olhares e divulgar novos artistas. A importância dos festivais, no entanto, está mais no contato dos filmes com cinéfilos e cineastas do que com o público comum. Quem freqüenta festival, geralmente, já é apaixonado por cinema e busca novidades. Ou é crítico de cinema e procura assunto. Ou é cineasta, exibe seu filme e assiste à exibição de outros trabalhos.

Os festivais ainda são o principal circuito para exibir curta-metragem. No Brasil, há uma dezena de festivais de curtas, todos fomentando a produção e o debate entre novos artistas. Por falar em novos artistas, as novas mídias não podem ser esquecidas. O curta-metragem, por exemplo, ganhou outros espaços importantes de exibição: as telas de computador, MP4 e telefones celulares. Cada vez mais, cresce a demanda desses meios por conteúdo. E, ao que parece, os vídeos curtos, simples e ágeis funcionam muito bem para o público digital.

Muita coisa está mudando e muita coisa ainda vai mudar na produção e na linguagem dos trabalhos feitos para as telas pequenas. O fato é que, pra quem começa no audiovisual, o circuito digital tem-se mostrado bem democrático, levando filmes baratos e criativos a milhares de pessoas.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de conteúdo: André Gatti